Com isso, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já se reuniu com Michelle para discutir o “futuro do partido”
Poucas horas após ser derrotado nas urnas para o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e família pegaram suas malas e partiram num voo cercado de mistérios para os Estados Unidos. A fuga expôs as fragilidades do clã e abre espaço para uma disputa pelo comando da direita brasileira.
Dentro do PL, o episódio amplia o isolamento da família e favorece lideranças que buscam conquistar protagonismo político. Ao indicar o filho primogênito como sucessor presidencial, Jair Bolsonaro apostou na continuidade de seu projeto político dentro da própria família.
A estratégia, pelo visto, não vingou, e sim, reduziu o espaço para outras lideranças, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que era visto por setores do centro político como uma alternativa para ampliar o alcance eleitoral da direita.
A derrota de Flávio e seu afastamento do cenário político enfraquecem essa aposta. Aliados que esperavam vê-lo assumir, pós-eleição, a coordenação da oposição ao governo Lula, agora enfrentam um novo cenário, marcado pela incerteza e pela necessidade de reorganização.
Com Jair Bolsonaro condenado a 27 anos e três meses de prisão e Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, desde março de 2025, a família perde espaço na disputa pelo controle político do movimento, e a crise evidencia os limites de um projeto concentrado em torno de um único sobrenome.
Michelle Bolsonaro ganha terreno
Com a pressa de sair logo do país e cair nos braços de Trump, Flávio pode não ter pensado nisso, mas a sua fuga favoreceu diretamente a sua madrasta Michelle Bolsonaro (PL), senadora eleita, que não esconde a sua relação conturbada com ele e seus irmãos Eduardo e Carlos.
Michelle já demonstrou disposição para contrariar decisões políticas da família e construir caminhos próprios, sem interferência dos enteados. Com uma rede de apoio, especialmente entre mulheres e lideranças evangélicas, ela reúne condições para ampliar sua influência dentro do partido e disputar o comando político do bolsonarismo.
O mais interessante é que o incentivo para isso vem de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, que enxergou nela uma alternativa para reorganizar a direita sem perder sua base tradicional.
A crise não significa o fim do bolsonarismo, mas enfraquece o controle da família sobre seu futuro. Com Flávio perdendo protagonismo e se refugiando no exterior, Michelle encontra espaço para avançar e transformar a disputa interna em uma nova etapa da política brasileira.
