Quaquá fez a declaração em um grupo de WhatsApp da Executiva Nacional do PT depois de uma discussão sobre a escolha de suplentes na chapa
Após uma intensa disputa de bastidores, com 19 votos favoráveis, três abstenções e nenhum voto contrário, a executiva nacional do PT aprovou uma resolução avocando para si a “competência exclusiva para a indicação, definição e homologação dos nomes destinados à primeira e segunda suplências da pré-candidatura de Benedita da Silva ao Senado Federal no Estado do Rio de Janeiro”.
A decisão representa uma derrota para o grupo ligado ao vice-presidente do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, que tem maioria no diretório estadual. Após a medida ser aprovada, Quaquá avisou ao PT que não fará campanha para Benedita.
“Estão transformando o PT em uma capitania hereditária. Isso vai cair no colo do Lula e do Eduardo Paes. Eu não estarei mais na campanha. Ela estará sozinha”, declarou Quaquá.
Executiva estadual aprovou uma chapa, Benedita quer outra
No dia 18 de abril, o diretório estadual do PT, comandado por Diego Quaquá, filho do prefeito de Maricá, escolheu a chapa do partido ao Senado para as eleições de outubro, com Benedita como candidata; o vereador Felipe Pires na primeira suplência e o pastor e cantor gospel Kleber Lucas na segunda.
Dez dias antes, em 8 de abril, Benedita havia mandado uma carta a Diego Quaquá; ao presidente nacional, Edinho Silva; e à coordenação do Grupo de Trabalho Eleitoral Nacional do partido, indicando o ex-presidente da Casa da Moeda Manoel Severino como o seu suplente.
A sugestão de Benedita já tinha sido levada, ainda que informalmente, ao presidente Lula.
O que diz a executiva estadual do PT
“A executiva estadual do Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro recebe com indignação a decisão da direção nacional de retirar do PT-RJ o direito de discutir e decidir sobre a composição da chapa ao Senado em 2026.
É uma decisão autoritária, tomada antes mesmo da realização do encontro estadual e sem respeitar o debate político que vinha sendo construído no Rio de Janeiro. A militância, os dirigentes e as instâncias estaduais do partido foram simplesmente atropelados.
O PT do Rio de Janeiro tem história, tem militância, tem acúmulo político e sabe construir unidade. Não aceitaremos que o estado seja tratado como alguém que apenas baixa a cabeça para decisões tomadas de cima para baixo, sem diálogo e sem participação.
Essa decisão não ajuda a unir o partido. Pelo contrário. Cria revolta, desmobiliza a militância e desrespeita quem está todos os dias defendendo o PT nas ruas, nos movimentos sociais e enfrentando a extrema direita no estado mais difícil do país.
Quem acredita na unidade partidária precisa entender que unidade não se impõe. Unidade se constrói com respeito político, debate democrático e participação das instâncias estaduais.
A decisão nacional racha o PT do Rio; dificulta imensamente a já difícil eleição de Bendita ao Senado; transforma o PT em uma capitania hereditária; e joga a perspectiva de escândalos evitáveis no colo da campanha do presidente Lula e do governador Eduardo Paes. Erros políticos cobram altos custos.
O PT-RJ seguirá firme na defesa da democracia interna, da sua autonomia política e do direito da militância fluminense de participar das decisões sobre os rumos do partido no nosso estado”.
Fonte: O Globo e Poder 360º
