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95% dos entrevistados afirmam que as operações não aumentam a sensação de segurança nas comunidades.
Uma pesquisa realizada por organizações da sociedade civil atuantes em favelas do Rio de janeiro constatou que a maioria dos moradores desaprovam as operações policiais e confrontos armados realizados dentro das comunidades. O levantamento ouviu famílias e pessoas que moram e vivem a rotina das maiores comunidades do município.
A pesquisa utilizou o seguinte questionamento como ponto de partida: Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policias com confronto armado? O objetivo do estudo foi ouvir moradores diretamente impactados pelas operações policiais e compreender as percepções sobre violência, medo, segurança e atuação das forças policiais nas favelas.
Os resultados coletados apontaram que 73% dos entrevistados rejeitaram as operações por acreditarem que elas não proporcionam sensações de segurança. Do lado contrário, 25% afirmaram concordar com as operações e 2% não souberam responder.
Ainda sobre a sensação de segurança, 95% dos entrevistados consideraram que as ações dentro das favelas não contribuem para aumentar a segurança das famílias. Para 92% dos abordados a condução das operações, a forma como elas acontecem, nas comunidades está reprovada.
As entrevistas foram distribuídas igualmente entre quatro territórios pesquisados: Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha. No total, 4.080 pessoas foram entrevistadas presencialmente entre os dias 13 e 31 de janeiro deste ano. A pesquisa foi conduzida pelas organizações Fala Roça, Frente Penha, Instituto Papo Reto, Instituto Raízes em Movimento, Redes da Maré e A Rocinha Resiste.
O estudo recebeu apoio da Cátedra Patrícia Acioli da UFRJ, Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), Fundação Tide Setúbal, Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da UFF, Instituto Fogo Cruzado, Laboratório de Análise da Violência (UERJ) e Open Society Foundations.
Ilegalidades, abordagens truculentas e demais excessos nas operações são analisados
Além de mediar a sensação de segurança e de avaliar as operações policiais dentro das comunidades, a pesquisa ainda coletou dados importantes sobre a forma que as incursões são realizadas. Foi constatado que 91% dos moradores acreditam que há excessos e ilegalidades cometidos pela polícia durante as operações. Até mesmo dentro do grupo de entrevistados que aprovam as operações há essa sensação de excessos. Segundo a pesquisa, 85% deste nicho reconheceram os abusos.
A sensação de insegurança e os abusos relatados também aparecem nos 78% dos entrevistados que afirmaram ter medo da polícia durante as operações. O medo e a discordância impulsionam a rejeição às operações entre os jovens de 18 a 29 anos. Nesta faixa, 79% reprovam a ação da polícia.
Sobre a vivência, 93% afirmaram já terem vivenciado diretamente as operações ou possuírem familiares impactados. Ao questionar sobre ações como as realizada nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro de 2025, que terminou com 122 mortos, 85% das pessoas entrevistadas pela pesquisa afirmaram que estas ou ações similares não deveriam acontecer novamente.
*Com informações da Agenda do Poder.
