Foto: Daniel Duarte/AFP
No pronunciamento feito hoje, Peña alegou que foi preciso renunciar para garantir estabilidade financeira do país.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (05) em meio a um cenário de protestos, causados por uma intensa crise financeira no país. A quebra de um banco digital que bloqueou a conta de milhares de pessoas é vista como a origem da crise. Um processo de impeachment contra o presidente contina em curso.
Santiago Peña é acusado de ser conivente à instabilidade financeira que se instaurou no Paraguai por conta da quebra do banco digital Ueno Bank. O próprio presidente era um dos acionistas desta instituição que atendia cerca de 40% da população. As operações interrompidas e o dinheiro dos correntistas ficaram inacessíveis.
O pedido de renúncia veio horas depois do Congresso do Paraguai dar os primeiros passos para votar um impeachment contra Peña e seu vice, Pedro Alliana. Por sua vez, A Câmara do Paraguai não aceitou a renúncia e decidiu dar seguimento ao processo de impeachment; a votação foi unânime.
De acordo com as últimas informações, o processo requerido ao vice foi rejeitado. De acordo com a imprensa paraguaia, há rumores de que o próprio assuma posteriormente o poder.
A crise se alastrou quando autoridades reguladoras identificaram problemas de capitalização e insolvência no Ueno Bank. Diante da gravidade da situação, o Banco Central do Paraguai determinou uma intervenção na instituição financeira. Por conta disso, centenas de paraguaios foram às ruas para exigir a liberação dos recursos, enquanto aumentavam as dúvidas sobre a segurança do sistema financeiro nacional.
Antes de renunciar, Peña chegou a tentar conter a crise minimizando o trabalho da imprensa e descredibilizando as preocupações relacionadas ao banco. Tal postura levantou questionamentos e agravou a instabilidade no país até tornar a situação de Santiago Peña insustentável.
De perfil conservador, Peña é filiado ao Partido Colorado e publicamente alinhado ao presidente Donald Trump. Ele integrava o “Escudo das Américas”, que é uma coalização de líderes políticos próximos aos interesses do presidente norte-americano.
Fonte: G1 / Agenda do Poder