Audiência Pública sobre as Bets leva pessimismo aos clubes

Foto: STF

Dirigentes dos times perceberam forte resistência sobre a pauta

O Supremo Tribunal Federal encerrou ontem (terça-feira, 03) a segunda audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux sobre as bets e os impactos de apostas online de cota fixa no Brasil. Representantes de diferentes esferas participaram do encontro e levaram as suas ponderações. Na visão dos dirigentes dos clubes o clima de resistência sobre a pauta teia pesado.

Representantes do Flamengo, Fluminense, Grêmio, Vitória, Guarani, São Paulo, Ponte Preta e Portuguesa levaram argumentos para a volta das bets ou para um fim em transição, alegando instabilidade jurídica. Todos foram unânimes ao alegar que a medida poderia causar demissões em larga escala, além de levar prejuízos aos cofres dos clubes, já que negociações já haviam sido feitas com as verbas oriundas das bets.

Mesmo com uma narrativa alinhada, membros das equipes alegaram um movimento forte contra a pauta que inibiram os argumentos apresentados ao ministro Fux.

A primeira-dama, Janja da Silva, levou ao STF um relatório sobre o impacto das bets para as mulheres. No documento, relatos e números mostraram o desgaste das famílias, os infinitos casos de inadimplência, dentre outras situações prejudiciais a saúde das mulheres e das famílias.

Alexandre Padilha, ministro da saúde, defendeu a proibição das bets como medida de proteção à saúde pública. O ministro relatou o aumento na procura por atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionada à ludopatia. Segundo ele essa patologia caracterizada pelo impulso incontrolável de jogar apostas e jogos de azar, cresceu 200% entre 2018 e 2026.

Fora isso, o ministro também relatou que 40% do 1,2 milhão de pessoas que pediram a autoexclusão das plataformas e relataram perda de controle sobre as apostas.

Na visão dos clubes a pauta sobre a proibição apresenta-se forte pelo apelo popular e pela reeleição do presidente Lula. Dirigentes tentam reverter para que o fim seja realizado transaccionalmente, alegando que um tempo determinado seria necessário para os clubes se organizarem financeiramente.

O ministro Luiz Fux encerrou a audiência reafirmando que o Supremo deverá atuar com racionalidade e prudência. Fux afirmou que os expositores trouxeram informações diferentes das reunidos em 2024, especialmente sobre os impactos econômicos, a atuação das apostas ilegais, o crime organizado, os direitos dos atletas e a segurança jurídica. Na visão do ministro algumas ponderações poderão ser solucionadas fora do Judiciário.

Fontes: O Globo / Portal STF

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