Mês da Consciência Negra: vereadores falam sobre os desafios no combate ao racismo

Discursos emocionados destacaram o preconceito e a desigualdade social que persistem com a população negra

Novembro é o mês da Consciência Negra, e o dia 20 é totalmente dedicado a ela. O tema, discutido na sessão plenária da Câmara de Duque de Caxias, realizada em 18/11, gerou emoção nos presentes em decorrência das manifestações, na tribuna, dos vereadores Michel Reis (SD) e Catiti (PDT).

Vice-presidente da Comissão de Promoção de Igualdade Racial, Michel Reis ressaltou que o verdadeiro significado data é a luta pela igualdade. “Não é apenas um feriado, é um marco da memória, símbolo de resistência e chamado de ação. Celebramos a coragem, a dignidade de um povo que mesmo submetido a dor e a injustiça, nunca permitiu que lhe roubasse a humanidade e a liberdade”, disse ele.

Para o vereador, o Dia da Consciência Negra convoca a todos a olhar para o presente e lutar por um futuro igualitário. “Que a cor da pele aproxime e não afaste a verdadeira igualdade. Não se trata apenas de um artigo de lei, é preciso se manifestar no cotidiano”.

O vereador Moises Neguinho (PP) complementou a fala de Michel Reis. “A gente vê o racismo na nossa cultura. Precisamos conscientizar toda a população e trabalhamos todos os dias para isso. O que nos divide é apenas a cor da pele”.

Em seguida, o vereador Catiti salientou a presidência de Claudio Thomaz (PRD) que possibilitou oportunidades a todos dentro da Casa Legislativa “Vossa Excelência, com a sabedoria e conhecimento desse parlamento, enxergou a importância de equilibrar forças dentro desta Casa de Leis: a força da mulher e a representatividade preta nesta 20ª Legislatura. Temos que reconhecer que a cada dia estamos avançando”, disse ele.

Catiti reiterou o convite para a primeira Corrida da Consciência Negra, fruto de sua iniciativa, e da Feira Preta que vão acontecer nesta quinta-feira (20), a partir das 7h, na Praça do Pacificador, no Centro da cidade. Ele parabenizou o apoio da prefeitura e citou a busca de oportunidades dentro do município.

Muito emocionado, Catiti falou sobre os preconceitos que a população negra ainda sofre. “É de emocionar você passar na rua e uma senhora esconder a bolsa e olhar para você como um delinquente. É duro ver como o racismo ainda está impregnado na nossa sociedade”.

Ele alertou para a necessidade de política públicas que garantam a igualdade dos direitos na saúde, educação e demais setores que ainda persistem em excluir o negro. “Desculpem meu desabafo, mas o que corre aqui nos meus olhos é verdadeiro. Eu tenho a oportunidade de estar aqui e jamais vou mudar minha origem, minha história de sacrifício. Eu consegui chegar a esta Casa de Leis e quero aprofundar este debate aqui. Preciso de cada um de vocês. Precisamos mudar a realidade de uma história que nos machuca muito”.

Ao final do seu discurso, não contendo as lágrimas, Catiti foi aplaudido de pé pelos demais vereadores e os cidadãos presentes nas galerias.

Fotos: Art Vídeo/ Victor Hugo

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