Mais um aceno às religiões de matrizes africanas? Eduardo Paes sanciona lei que torna Dia de Iemanjá do Arpoador em patrimônio cultural carioca

Foto: Brenno Carvalho

Lei publicada ontem (07) destaca a celebração realizada todo dia 02 de fevereiro

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), sancionou ontem (07) uma lei que torna o Dia de Iemanjá no Arpoador em patrimônio cultural carioca. A festa, rotineiramente celebrada no dia 02 de fevereiro, reúne anualmente casas de axé e milhares de pessoas das religiões de matrizes africanas nas areias do Arpoador. A medida tem sido vista como mais um aceno às religiões de matrizes africanas, já que vem em sequência da polêmica com o palco gospel da noite da virada e a promessa da criação da estátua de Tata Tancredo, sacerdote da Umbanda, considerado o precursor do réveillon de Copacabana.

Foto: Karen Eppinghaus

Ao se tornar Patrimônio Cultural Carioca, a festa ganha reconhecimento pelas práticas, rituais, cortejos com oferendas… todas as manifestações artísticas-religiosas ligadas ao culto à Iemanjá, orixá venerada como Rainha do Mar. Além da exaltação, a prefeitura fica autorizada a firmar parcerias com instituições culturais e religiosas para preservar a tradição.

A atividade é considerada umas das celebrações afro-brasileiras mais expressivas do Rio de Janeiro. O dia 02 de fevereiro é dedicado a Orixá em todo país e no Rio as festividades congregam giras abertas, apresentações de afoxé, jongo, samba de roda e outras expressões populares. Segundo a organização do evento, em 2025 mais de 20 mil pessoas participaram da celebração.

Reconhecimento vem após recente polêmica com o palco gospel

A virada do ano foi marcada por estremecimentos entre integrantes das religiões de matrizes africanas e o prefeito. Endossando a discussão sobre o Palco Gospel no réveillon de Copacabana, no dia 28 de dezembro, Eduardo Paes respondeu as críticas e foi interpretado como “preconceituoso”, ao se manifestar dizendo que o réveillon de Copacabana era de todos e que era impressionante o nível de preconceito “dessa gente”. Paes foi ainda incisivo ao afirmar que cada um ficasse no ritmo que mais curtia. “O povo cristão também tem direito a celebrar”, disse ainda.

Desde a estreia em 2024 o Palco Gospel já havia recebido críticas. No final de 2025, Ivanir dos Santos, babalawô, bateu na mesma tecla dizendo que: “Oferendas a Iemanjá perderam o protagonismo”.

Após o réveillon, o prefeito veio a público para confirmar que faria uma estátua em homenagem a Tata Tancredo, sacerdote da Umbanda considerado o precursor do réveillon de Copacabana.

Palco Gospel: Foto Divulgação

Historicamente, Tata Tancredo é considerado o pioneiro no ato de oferendar flores à Iemanjá na noite da virada. Em comunhão com os seus discípulos e outros simpatizantes da religião, homenagens eram rendidas à orixá especificamente na hora da virada. Tal evento, mais à frente, segundo historiadores, categorizou-se como o famoso réveillon de Copacabana.

No dia 02 de janeiro, o prefeito usos as redes sociais para pedir desculpas caso tenha ofendido alguém, afirmando que criaria a estátua de Tata Tancredo. A controvérsia em torno do palco gospel ganhou ainda mais notoriedade após o Ministério Público Federal (MPF) abrir investigação para apurar se houve privilégio a uma religião na organização do réveillon, de responsabilidade da prefeitura da cidade.

*Com informações do Jornal Extra / Diário do Rio / Agenda do Poder.

Compartilhe essa matéria:

Últimas notícias

Veja também