Eleita Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara, Erika Hilton recebe críticas, com tom de transfobia, de opositores

Foto: Divulgação Online

Posicionamentos contra foram expostos em discursos com suspeita de transfobia. Deputada solicitou providências à justiça.

A Câmara dos Deputados em Brasília elegeu Erika Hilton, deputada federal do Psol de SP, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, por 11 votos favoráveis. A eleição aconteceu em dois turnos, no dia 11 de março, e desde o anúncio tem gerado falas polêmicas de opositores e personalidades que se manifestaram contra a indicação do nome da deputada para o cargo.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) utilizou o seu discurso no plenário do Senado Federal, na terça-feira (10), para criticar a eleição da Câmara que elegeu Erika como presidente da Comissão. A parlamentar viu como “um risco” uma mulher trans nesta cadeira. A senadora destacou que os espaços conquistados historicamente por “mulheres que nasceram mulheres” devem ser ocupados por mulheres cisgênero, “não posso permitir que um movimento no Brasil queira me tirar, inclusive, o direito de eu falar na tribuna que eu sou mulher. […] Mas esses nossos espaços, que nós conquistamos por anos, ainda precisam ser ocupados por nós, mulheres”, afirmou.

A reação de outros personagens da direita foi imediata. A deputada Clarissa Tércio (PP-PE) chegou a afirmar que “não podia” parabenizar a colega, “Não tenho como parabenizar o que aconteceu aqui hoje. Porque a deputada assume essa cadeira com um peso muito grande, de ter dividido essa comissão, de ter tido 12 votos em branco, ou seja, a maioria contrária à sua eleição. Tenho certeza que se essa eleição ocorresse com as mulheres do Brasil, as mulheres biológicas, com toda certeza você não estaria sentada nessa cadeira”, disse a parlamentar.

O deputado Éder Mauro (PL-PA) chegou a pontuar os problemas enfrentados pelas mulheres no Brasil e afirmou ser necessário que a cadeira fosse ocupada por uma mulher cisgênero, “Como uma mulher pode aceitar que os seus direitos sejam defendidos por quem não é mulher? Quem tem que presidir a comissão tem que ser uma mulher”.

Ratinho, apresentador do SBT, também se manifestou ao vivo em seu programa

Dentre as falas contrárias, a manifestada pelo apresentador do SBT, Ratinho, foi uma das mais polêmicas e que viralizaram na internet. Em seu programa, exibido em horário nobre na noite desta terça (11), o comunicador chegou a dizer que a deputada federal Erika Hilton “não era mulher”. “Para ser mulher, tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que dbeveria deixar uma mulher”.

Ainda em sua fala polêmica, o apresentador invalidou a identidade de Hilton e das demais trans, “Mulher, para ser mulher, tem que ser mulher! Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente… Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei… Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa… Agora, acho que devia ser mulher”.

Após as declarações, consideradas transfóbicas pela deputada, Erika Hilton solicitou ao Ministério Público de São Paulo uma investigação urgente contra o apresentador.

Ao tomar a posse da comissão, a deputada discursou pontuando a importância da efetividade da comissão, priorizando o avanço de projetos voltados à proteção das mulheres e ao enfrentamento da violência de gênero.

Além de Erika Hilton na presidência da comissão, também foram eleitas a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) para o cargo de primeira vice-presidente; a deputada Adriana Accorsi (PT-GO) como segunda vice; e Socorro Neri (PP-AC) como terceira-vice.

 

*Com informações da CNN Brasil / Veja / Revista Oeste / Portal Terra

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