Desafios ambientais marcam as obras no trecho da rodovia BR-493 entre Magé e Manilha

A duplicação da rodovia atravessa uma região de ocupação indígena histórica e também onde coexistem várias espécies animais

A duplicação do trecho de 20km da rodovia BR-493, entre Magé e Manilha, na Região Metropolitana do Rio, passa por um extenso planejamento ambiental que envolve monitoramento de fauna, preservação de recursos hídricos, educação ambiental para moradores e trabalhadores, além do acompanhamento arqueológico permanente.

A estrada, que já foi conhecida como a “Rodovia da Morte”, é vizinha da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim. Por anos, o trecho sofreu com acidentes recorrentes, incluindo para o meio ambiente, onde no entorno coexistem espécies como capivaras, porcos-espinhos, jabutis, preguiças e pássaros.

Segundo Aline Rodrigues, supervisora de sustentabilidade da Ecovias Rio Minas, concessionária que administra, entre outras rodovias, o chamado Arco Metropolitano, do qual o trecho faz parte, a execução depende de uma articulação constante entre engenharia e meio ambiente. “É um planejamento complexo e integrado. Existe um cronograma para que cada etapa da obra aconteça respeitando os estudos prévios, o licenciamento e os programas de monitoramento. Nada avança sem que antes se entenda o impacto e as formas de mitigá-lo”, disse.

Uma das ações adotadas para reduzir os impactos é a implantação de passagens de fauna. Algumas serão subterrâneas aproveitando estruturas sob pontes, enquanto outras poderão ser aéreas em trechos críticos, a fim de preservar a fauna e, ao mesmo tempo, aumentar a segurança na via.

A duplicação da rodovia atravessa uma região de ocupação indígena histórica, e o acompanhamento arqueológico é exigido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Durante escavações recentes, foram encontradas duas lâminas de machado de pedra, vértebras de peixe e lascas de quartzo, vestígios associados a antigos sambaquis, que eram sítios arqueológicos formados por populações pré-coloniais que viviam em áreas costeiras.

De acordo com os arqueólogos envolvidos, pelo menos seis sítios já foram identificados ao longo da via desde os primeiros estudos, iniciados há mais de uma década. Por isso, antes de qualquer máquina entrar em operação, equipes de biólogos, arqueólogos e técnicos ambientais percorrem a faixa da obra para mapear espécies, cursos d’água e áreas sensíveis.

Com os 20Km duplicados, também serão implantados cinco novos viadutos em desnível, três passarelas para pedestres, melhorias de acessos e conexão ampliada ao Complexo de Boaventura, antigo Comperj.

 

Fonte: O Globo

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