Delcy Rodríguez
Foto: Divulgação Online
Filha de um guerrilheiro de esquerda e formada em Direito, Delcy era figura chave na gestão da economia venezuelana.
Após a captura de Nicolás Maduro no domingo (03) pelas forças militares norte-americanas, a Venezuela passou a ser gerida interinamente pela sua vice-presidente Delcy Rodríguez. Atuante no governo Maduro e peça importante na gestão do petróleo e da economia do país, Delcy passou a ser vista como uma importante personagem no processo de interferência dos EUA na Venezuela.
Delcy foi ministra da comunicação e da informação entre 2013 e 2014 e ministra das relações exteriores entre 2014 e 2017. Desde 2018 estava vice-presidente da Venezuela, o que lhe concedeu os ministérios da Fazenda e do Petróleo. Muito bem quista por Maduro, que a chamava de Tigre, tendo em vista o seu perfil aguerrido e militante, Delcy já se demonstra interessada em negociar.
Em suas primeiras falas como presidente interina ela afirmou estar pronta para cooperar com o governo Trump, defendendo uma relação “equilibrada e respeitosa” com os Estados Unidos. Delcy se destacou durante anos no governo Maduro como principal mediadora entre Caracas e Washington. Junto de seu irmão, Jorge Rodríguez Gómez, ela sempre conduziu as negociações com os Estados Unidos a favor de Maduro.
Analistas internacionais destacam uma tendência de alinhamento estratégico com o governo Trump, já que os Estados Unidos se demonstram irredutíveis sobre o controle total da Venezuela. Na maioria das suas falas à imprensa, Donald Trump afirma que os EUA “estão no comando”, mesmo discutindo os próximos passos com as autoridades venezuelanas.
Ao ser indagado por repórteres no Air Force One, sobre a presidência interina de Delcy, Trump foi catedrático: “Não me perguntem quem está no comando, porque darei uma resposta muito controversa”. Ao ser questionado sobre o que significava esta fala, o presidente dos EUA não titubeou ao afirmar que “está no comando”.
Os desafios da gestão interina da Venezuela são grandes. A estratégia seria “apaziguar” os ânimos norte-americanos, buscando a cooperação e o diálogo, já que o governo Trump se posiciona com veemência ao afirmar que possui o poder. Em contrapartida, Delcy precisa manter o discurso cultivado há anos na Venezuela que a fez ter uma trajetória política de ascensão, ao lado de Maduro: o anti-imperialismo e a soberania do país.
*com informações do G1.