Concentração do Público na Parada
Na sua 30ª Edição, evento levou o tema: “a rua convoca, a urna confirma”, exaltando a urna eletrônica no processo eleitoral.
Ela já faz parte do calendário municipal de São Paulo, mas sempre é aguardada pelo Brasil. A Parada do Orgulho LGBT+ promoveu a sua 30ª Edição ontem (08) e transformou a Av. Paulista em palco de militância, festa e discursos políticos. Grande parte dos participantes usavam a camisa do Brasil, em meio ao colorido dos leques, fantasias e performances. Pabllo Vittar, Gloria Groove e o discurso da deputada federal Erika Hilton foram destaques.
O tema deste ano abordou o uso da urna eletrônica no processo eleitoral. A utilização da urna, assim como a parada, está no seu trigésimo aniversário, por isso, o evento levou o debate sobre a importância da utilização nas eleições brasileiras.
O título “a rua convoca, a urna confirma” também serviu para combater a falsa narrativa que coloca em discussão a eficiência das urnas nos pleitos. A utilização das ruas como palco dos debates causa mobilização e a ampliação da defesa dos direitos e do avanço brasileiro no período de escolha dos seus representantes nas eleições.
Atrações
Gloria Groove, Pabllo Vittar, Urias, Melody, Thiago Pantaleão, Pepita e Grag Queen deram o tom musical do evento, fazendo o público vibrar com os seus hits. O evento contou com 14 trios elétricos de diferentes vertentes musicais e discursos. A música pop, o funk e a eletrônica foram as mais celebradas.
A deputada federal Erica Hilton subiu ao palco e causou frisson ao discursar sobre os direitos trabalhistas da população brasileira e a votação na Câmara dos Deputados que aprovou o Fim da Escala 6×1. Encaminhada ao Senado Federal, a PEC foi constantemente lembrada nas ruas durante a Parada e fortemente defendida pela deputada em sua fala.
Erica ressaltou que “que o avanço da PEC veio pelas mãos de uma travesti preta“, reforçando o compromisso social da classe LGBT+. A deputada destacou a capacidade da comunidade de produzir mudanças estruturais e sociais profundas ao ocupar a política institucional e defendeu que a população brasileira deseja e merece mais tempo, descanso e dignidade ao defender o avanço da PEC também no Senado.
Além de exaltar a classe trabalhadora, através do Fim da Escala 6×1, a deputada também fez acenos às autoridades, cobrando mais proteção as pessoas LGBT+. O Brasil continua liderando o ranking mundial dos países que mais cometem, LGBTfobia e Transfobia no mundo. Por isso, o discurso de Erica também abordou resistência e militância.
Público abaixo e retração estrutural
Mesmo com a participação massiva de integrantes da classe, famílias e simpatizantes, a Parada deste ano atingiu a marca de 36,8 mil pessoas, segundo a estimativa do monitor de debate político da USP. Com a margem de erro de 12%, o público oscilava entre 323 mil em 41,2 mil participantes às 14h37, considerado o horário de pico. Nas últimas edições a Parada atraiu mais gente. Em 2025 foram cerca de 48.747 pessoas e em 2024 73,6 mil.
Quem esteve no evento teve boas impressões, mas também fez algumas advertências. Lucas Carvalho é carioca, trabalha como Porteiro e tem 29 anos, e se programou para estar em São Paulo no fim de semana da Parada, “já tinha participado em 2024 e este ano gostei muito da abordagem sobre as urnas eletrônicas. Acho importante e muito relevante levar este debate, já que a Parada possui esse viés político”.

Lucas ressaltou ainda que a queda no número de patrocinadores e a falta de interdição de algumas ruas ficam como pontos a melhorar, “deu para perceber que o evento sofreu com a perda de patrocinadores. Um outro ponto, na minha concepção, acho que a gestão municipal poderia ter colaborado mais. Algumas ruas poderiam estar interditadas, para facilitar a locomoção do público, e não estavam. A concentração de pessoas que acabou causando interdições em alguns pontos, a multidão foi guiando sabe?” pontuou.
A Prefeitura de São Paulo afirmou que deu total apoio logístico ao evento, mas confirmou que houve retração estrutural e financeira na edição deste ano. A Parada teve uma movimentação estimada em R$ 466,2 milhões na economia da capital paulista. O valor representa uma queda de 15% (cerca de R$ 82,3 milhões a menos) em relação a 2025, que havia registrado R$ 548,5 milhões.
De acordo ainda com a Prefeitura, houve um recuo de aproximadamente 60% no investimento privado corporativo. O total de trios elétricos autorizados precisou cair de 20 para 14 devido ao orçamento enxuto.
