Caso Vorcaro: troca de advogado sinaliza possível delação premiada

Nos bastidores, a avaliação é que a pressão judicial aumenta à medida que o processo avança e novos elementos surgem nas investigações

O banqueiro Daniel Vorcaro decidiu trocar a equipe de advogados que realiza sua defesa no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura as fraudes no Banco Master.

A troca foi efetivada após a Segunda Turma da Corte formar maioria de 3 votos a 0 para manter a prisão do banqueiro, que vai continuar custodiado na Penitenciária Federal em Brasília por tempo indeterminado. A banca do advogado Pierpaolo Bottini, crítico de delações, deixou o processo e será substituída por José Luis Oliveira, um dos criminalistas mais conhecido do país.

Embora a mudança sinaliza que Vorcaro está disposto a negociar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) ou com Procuradoria-Geral da República (PGR), ao saber que seria mantido preso, ele se revoltou, esmurrando a parede de sua cela na Penitenciária Federal de Brasília. Ele machucou as mãos e precisou de atendimento médico.

Durante o surto, segundo interlocutores de Vorcaro, ele teria ainda gritado nomes de políticos e autoridades com quem tinha “relações financeiras” e que não estariam atuando para tirá-lo da cadeia.

Nos bastidores, a avaliação é que a pressão judicial aumenta à medida que o processo avança e novos elementos surgem nas investigações. A expectativa de delação não se limita apenas ao próprio Vorcaro. Investigadores também observam a possibilidade de acordos de colaboração envolvendo outros personagens centrais do caso, entre os nomes estão o do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Souza, e Belline Santana que chefiava o Departamento de Supervisão Bancária da instituição.

Novo advogado

José Luis Oliveira já atuou na formatação de diversos acordos de colaboração, entre eles, do ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, um dos delatores da Operação Lava Jato. O advogado também atuou na defesa do general Braga Netto, no processo da trama golpista, e do ex-ministro José Dirceu, condenado no processo do mensalão.

Além disso, Oliveira Lima atuava para o Banco Master antes da liquidação determinada pelo Banco Central.

 

 *Fonte: Revista Fórum

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